Leituras poéticas – Capítulo 15
Perfumes do Jardim
Consciência
Por Majda Hamad Pereira
Quem
de nós
Faz
jus a consciência?
Quem
de nós
Assume
a incompetência?
De
Erros e Defeitos,
Dos
Medos,
Da
falta de Zelo,
De
Amor,
Dos
que tem fome,
Dos
que dizem sem nome,
Dos
que ardem de dor.
O peso da consciência e o chamado à ação
Por Hiran de Melo
A
leitura de “Consciência” revela um poema que não se contenta em ser
contemplativo — ele é um chamado, um incômodo, um espelho que não suaviza os
contornos da realidade. O sujeito lírico se coloca como voz que interroga, que
denuncia, que exige posicionamento. A repetição de “Quem de nós”
funciona como um martelo que golpeia a indiferença, convocando o leitor a
assumir sua parcela de responsabilidade.
A
estrutura do poema é enxuta, mas carregada de densidade ética. A enumeração de
falhas — “Erros e Defeitos, Dos Medos, Da falta de Zelo, De Amor” — não
é apenas uma lista, mas uma confissão coletiva. O eu poético não se exime: ele
se inclui, se expõe, se compromete. A consciência aqui não é um conceito
abstrato, mas uma prática cotidiana, uma postura diante do sofrimento alheio.
A
presença dos que “tem fome”, dos que “dizem sem nome”, dos que “ardem
de dor” desloca o poema para o campo da alteridade. O outro não é invisível
— ele é o centro da interrogação. O sujeito lírico não pergunta apenas sobre
si, mas sobre todos nós. A consciência, portanto, é relacional: ela se mede
pela capacidade de reconhecer e agir diante da dor do outro.
Esse
poema não oferece respostas fáceis. Ele incomoda, provoca, desestabiliza. E é
justamente nesse desconforto que reside sua força poética. Ao nos convocar a
fazer jus à consciência, o
texto nos convida a uma ética do cuidado, da escuta, da ação.
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