Leituras poéticas – Capítulo 14
Perfumes do Jardim
Aprendiz de Sentimentos
Por Majda Hamad Pereira
Em
cada canto que passo
Janelas
abertas
Vidas
Vazias
Portas
fechadas
Em
cada canto que passo
Vejo
a alegria
Sabedoria
Sofrimentos,
lamentos...
Em
cada canto que passo
Sinto
saudade
Das
histórias vividas
Das
histórias contadas
Em
cada canto que passo
Deixo
um abraço
Um
até breve, até logo
Deixo
um laço.
A Arte de Sentir e Compreender
Por Hiran de Melo
A
leitura de “Aprendiz de Sentimentos” revela uma caminhada poética em que
o sujeito lírico se transforma em observador sensível do mundo e de si mesmo. A
repetição do verso “Em cada canto que passo” funciona como um compasso
existencial, marcando o ritmo de uma jornada que não é apenas física, mas
profundamente emocional.
Cada
estrofe é uma janela aberta para a multiplicidade da experiência humana. Há
janelas abertas, mas vidas vazias; há portas fechadas, mas também alegria e
sabedoria. O poema se constrói como um mosaico de contrastes, onde o olhar do
eu poético captura tanto a beleza quanto a dor, tanto o saber quanto o lamento.
A
saudade das histórias vividas e contadas revela o valor da memória como
território afetivo. O sujeito lírico não apenas sente — ele aprende com o
sentir. A saudade não é paralisante, mas reveladora: ela aponta para o que foi
significativo, para os vínculos que moldaram a identidade.
Na
última estrofe, o gesto de deixar um abraço, um até breve, um laço, é a síntese
da travessia: o eu poético não apenas observa, mas se conecta. Ele deixa
marcas, afetos, pontes. O laço é símbolo de continuidade, de vínculo, de
presença que resiste ao tempo.
Esse
poema é, portanto, um convite à escuta do mundo e dos próprios sentimentos. Ele pulsa com a delicadeza de quem
aprende a sentir, a reconhecer, a acolher. É uma ode à sensibilidade
como forma de conhecimento e à empatia como gesto poético.
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