Leituras poéticas – Capítulo 11

Perfumes do Jardim

Guerreira

Por Majda Hamad Pereira

 

Sou guerreira nas minhas batalhas

Sejam elas fortes ou fracas

Não comporto nenhuma muralha

Sou fiel comigo e com todos

Levo cravado no corpo

O brasão da coragem, da força e da incerteza

Da vitória sem traumas, sem perdas

Na leveza da alma, da breve vida

Que ao mesmo tempo me ensina

Sem hora certa

Nem lugar marcado

A ser feliz.

 

A Leveza da Coragem: O Caminho da Guerreira

Por Hiran de Melo

O poema “Guerreira” se apresenta como uma celebração da força interior, mas não apenas no sentido bélico: é uma força que nasce da fidelidade a si mesma e da leveza da alma. A repetição inicial — “Sou guerreira nas minhas batalhas” — estabelece um ritmo afirmativo, quase ritualístico, que transforma cada desafio em oportunidade de revelação.

A imagem da guerreira não é marcada por muralhas ou armas, mas por um brasão invisível: coragem, força e incerteza. Essa tríade revela que a vitória não é ausência de fragilidade, mas convivência com ela. A incerteza, longe de ser fraqueza, é parte constitutiva da coragem — pois só quem reconhece o risco pode atravessá-lo.

O poema também desloca a ideia de luta para o campo espiritual. A “leveza da alma” e a “breve vida” são apresentadas como mestres silenciosos, que ensinam sem hora marcada. A felicidade, nesse contexto, não é conquista final, mas experiência que se renova no instante, sem previsibilidade. A guerreira é aquela que aprende a ser feliz no meio da batalha, sem esperar o fim da guerra.

Assim, “Guerreira” nos convida a compreender que a verdadeira luta não é contra muralhas externas, mas contra os limites internos que nos impedem de viver com inteireza. A vitória é sem traumas porque não se trata de destruir o inimigo, mas de integrar a experiência. É um poema que transforma a figura da guerreira em metáfora da existência: viver é lutar, mas lutar é também aprender a ser leve, fiel e aberta ao inesperado.

Se pensarmos nessa imagem, a guerreira de Majda não é apenas personagem — é espelho. Ela nos pergunta: em quais batalhas da sua vida você já descobriu que a coragem não estava em vencer, mas em permanecer fiel a si mesmo?

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