Leituras poéticas – Capítulo 07

Perfumes do Jardim

Sem Você

Por Majda Hamad Pereira

 

És minha alma

O meu sorriso

O meu desejo

A minha firmeza?

 

És minha saúde

Minha certeza de dormir sem medo

Acordar sentindo-me viva, sempre

Quem sou eu sem você?

 

Amor como Raiz e Abismo

Pro Hiran de Melo

 

O poema “Sem Você” nos conduz a uma reflexão sobre a intensidade do amor e sua capacidade de moldar a identidade. A voz poética coloca o amado como fundamento de sua existência, atribuindo-lhe dimensões vitais: “És minha alma / O meu sorriso / O meu desejo / A minha firmeza?”. Aqui, o outro não é apenas presença, mas essência, sustentação e força.

Na segunda parte, o amado é descrito como fonte de saúde e segurança: “Minha certeza de dormir sem medo / Acordar sentindo-me viva, sempre”. O amor aparece como guardião da paz interior, como energia que protege e revitaliza. No entanto, a pergunta final — “Quem sou eu sem você?” — abre espaço para a dúvida existencial. O poema revela que a mesma força que dá sentido à vida pode também expor a fragilidade de quem se sente incompleto sem o outro.

A progressão dos versos mostra o movimento da afirmação à incerteza: da celebração da presença à angústia da ausência. O amor é retratado como raiz que sustenta, mas também como abismo que ameaça dissolver a identidade. A simplicidade da linguagem intensifica essa tensão, pois cada palavra carrega peso emocional e espiritual.

Assim, “Sem Você” não é apenas um canto de dependência amorosa, mas uma meditação sobre a condição humana: a busca por plenitude através do outro e o temor da perda que nos faz questionar quem somos. É um poema que nos convida a refletir sobre a delicada fronteira entre entrega e autonomia, revelando como o amor pode ser simultaneamente força de vida e risco de dissolução.

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