Leituras poéticas – Capítulo 61

 


O Húmus do jardim

Canavial

 

Por Majda Hamad Pereira

 

A alma grita

E o corpo arde de dor

O sofrimento constante

E o sol quente escaldante

Aflora o suor que molha a carne

Ossos tremidos, curvados

A espera de um descanso

A noite enfim chega

O sono vem e com ele

A incerteza do dia seguinte.

 

 

Reflexão – Uma leitura possível do poema:

 

Canavial

 

O poema 'Canavial', de Majda Hamad Pereira, inscreve-se na tradição literária brasileira que tematiza as relações de trabalho no campo, especialmente as marcadas pela exploração. Ao evocar de forma visceral a experiência do trabalhador canavieiro, a autora contribui para a construção de uma imagem literária que, ao longo da história, tem sido utilizada para denunciar as condições de trabalho subumanas e a desigualdade social no Brasil.

 

Temática

 

Sofrimento físico e emocional

 

O poema explora a intersecção entre corpo e alma, apresentando o trabalhador rural como um sujeito dilacerado pela experiência de trabalho. A dor física, intensificada pelas condições adversas do ambiente, é acompanhada por um sofrimento psicológico profundo, que se manifesta na angústia existencial e na sensação de impotência.

 

Desesperança

 

A ausência de perspectivas de mudança e a incerteza quanto ao futuro acentuam a sensação de desesperança que permeia a vida dos trabalhadores retratados no poema. A repetição de elementos como 'incerteza' e 'dia seguinte' reforça a precariedade de suas existências e a impossibilidade de projetar um futuro diferente.

 

Exploração

 

As condições de trabalho descritas no poema revelam a exploração sistemática do trabalhador rural, que é visto como um mero instrumento de produção. A desumanização do trabalho, evidenciada pela ausência de reconhecimento e valorização, é um tema recorrente na literatura que busca denunciar as desigualdades sociais.

 

Por fim

 

O poema 'Canavial' revela-se como um poderoso instrumento de denúncia social, convidando o leitor a refletir sobre as persistentes desigualdades e as precárias condições de trabalho que marcam a realidade brasileira. Ao empregar uma linguagem poética direta e impactante, a autora não apenas sensibiliza o público para a causa dos trabalhadores rurais, mas também contribui para a construção de um cânone literário comprometido com a luta por justiça social.

 

Poeta Hiran de Melo

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