Leituras poéticas – Capítulo 57

 


O Húmus do jardim

Destino

 

Por Majda Hamad Pereira

 

Quem traça um caminho

Há de segui-lo sozinho

E preencher

Nas andanças da vida

Aquele vazio

E entender

Como o vento

Busca no alento

Na imensidão do tempo

O nascer e o morrer.

 

Reflexão – Uma leitura possível do poema:

 

Destino

 

A metáfora da jornada, central no poema, estabelece uma analogia entre a vida e um percurso individualizado. A expressão "seguir o caminho sozinho" sublinha a responsabilidade autônoma do sujeito pelas suas decisões e seus desdobramentos, além de evidenciar a necessidade intrínseca de atribuir significado e propósito à existência. A solidão aqui não se confunde com o isolamento, mas sim com a singularidade inerente à condição humana, na medida em que cada indivíduo busca construir sua própria identidade.

 

Quem traça um caminho

Há de segui-lo sozinho

E preencher

 

A imposição de "seguir o caminho sozinho" sublinha a responsabilidade autônoma do indivíduo pelas escolhas e seus desdobramentos, sem, contudo, implicar em isolamento absoluto. A solidão aqui se configura como um aspecto intrínseco à condição humana, na medida em que cada sujeito busca construir sua própria identidade.

 

A busca por "preencher" um vazio subjacente revela a vida como uma constante procura por sentido e completude. Esse vazio, passível de diversas interpretações, pode ser compreendido como uma ausência, uma lacuna existencial ou um anseio por conexões mais profundas.

 

Nas andanças da vida

Aquele vazio

E entender

 

A noção de "vazio" transcende a mera ausência material, representando uma lacuna existencial que impulsiona o indivíduo em uma busca incessante por significado. Essa lacuna pode ser interpretada como a falta de algo específico, como o amor ou o pertencimento, ou como uma aspiração mais ampla por um sentido transcendental para a existência.

 

O vazio, nesse sentido, funciona como um motor que impulsiona a jornada da vida. A vida, nesse contexto, é concebida como uma peregrinação em direção à plenitude, onde o significado é construído a partir da superação dos desafios e da busca por conexões significativas.

 

Como o vento

Busca no alento

Na imensidão do tempo

O nascer e o morrer.

 

A metáfora do vento, associada à imensidão do tempo, evidencia a brevidade da vida humana. A existência é comparada a um sopro de vento, um instante fugaz em um tempo infinito. Essa perspectiva reforça a ideia da finitude e da necessidade de aproveitar cada momento.

 

A menção ao "nascer e morrer" encerra a reflexão sobre a vida, enfatizando a natureza cíclica da existência. A metáfora do vento, ao evocar a ideia de movimento constante e renovação, reforça essa noção de ciclicidade.

 

Leituras...

 

A perspectiva existencialista, com seu enfoque na liberdade individual e na responsabilidade pelas escolhas, oferece uma lente eficaz para a interpretação do poema, que explora a condição humana em sua dimensão mais solitária e autônoma. A jornada solitária do sujeito poético, marcado pela busca por sentido e pela consciência da finitude, encontra um paralelo nas reflexões dos filósofos existencialistas sobre a angústia e o absurdo da existência.

 

A busca por um estado de serenidade e compreensão profunda da natureza da realidade, presente no poema, alinha-se com os objetivos da prática budista, que visa o despertar para a verdadeira natureza da mente e a libertação do sofrimento.

 

Por fim

 

O poema "Destino" apresenta a vida como uma jornada solitária, marcada pela busca individual por significado. No entanto, a autora sugere que, mesmo na solidão, é possível encontrar conforto e propósito. Essa perspectiva aponta para uma experiência humana universal, que transcende as particularidades individuais. A obra convida o leitor a encontrar um equilíbrio entre a aceitação da morte e a afirmação da vida, celebrando a beleza e a complexidade da experiência humana.

 

Poeta Hiran de Melo


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