Leituras poéticas – Capítulo 54
O Húmus do jardim
Medo
Por Majda
Hamad Pereira
O medo é dominante
Em mim
Acorrenta a minha coragem
Inutiliza minhas forças
Deprimi minha alma
É pedaço arrancado da carne
É retraço
É dor.
Reflexão – Uma leitura possível do poema:
Medo
Através de uma
linguagem poética intensa e concisa, o poema 'Medo' de Majda Hamad Pereira nos
convida a uma imersão na subjetividade da autora, explorando a experiência
visceral e opressiva do medo e seus impactos na psique humana. A metáfora do
medo como uma força que "acorrenta a coragem" e "inutiliza as
forças" revela a natureza paralisante dessa emoção, impedindo a autora de
agir e de alcançar seus objetivos.
Essa representação
do medo como uma força opressora e avassaladora é comum na literatura,
revelando a universalidade dessa experiência humana.
O medo é dominante
Em mim
Os versos iniciais estabelecem
uma relação de subordinação entre o sujeito poético e o medo, transformando
esta emoção em um agente ativo que domina e controla a subjetividade da autora.
Essa personificação
do medo, comum na literatura, confere à emoção uma dimensão quase física,
sugerindo que ela aprisiona e paralisa a autora, impedindo-a de agir e de
experimentar plenamente a vida.
Acorrenta a minha coragem
Inutiliza minhas forças
A personificação do
medo como um 'algoz' que 'acorrenta a coragem' e 'inutiliza as forças' revela uma relação de poder desigual entre o sujeito
poético e a emoção, onde o medo emerge como uma força opressora que subjuga a
vontade do indivíduo.
Essa representação
do medo como uma entidade externa que controla e domina o sujeito é comum na literatura,
revelando a universalidade dessa experiência e a sua capacidade de paralisar a
ação e limitar as possibilidades humanas.
Deprimi minha alma
A expressão 'deprimi
minha alma' revela a profundidade do
sofrimento psíquico causado pelo medo, que obscurece a consciência e leva a um
estado de melancolia profunda, caracterizado pela perda da esperança e da
alegria.
Essa representação
do medo, como uma força que invade e domina a alma, expressa a ideia da capacidade
do medo de afetar significantemente a subjetividade humana. A imagem da alma
'deprimida' evoca a tradição romântica, que explorava as profundezas da
subjetividade e a experiência da melancolia como uma expressão autêntica da
condição humana.
É pedaço arrancado da carne
A metáfora 'pedaço
arrancado da carne' materializa a
experiência do medo, associando-a a uma ferida física e a uma dor profunda e
visceral, revelando a intensidade e a corporalidade dessa emoção.
Essa imagem expressa
a ideia de que o sofrimento psíquico pode se manifestar de forma somática,
evidenciando a interconexão entre corpo e mente. Ao comparar o medo a uma
ferida, a autora não apenas transmite a intensidade da dor emocional, mas
também sugere a dificuldade de cicatrização e a persistência das marcas
deixadas por essa experiência.
É retraço
É dor
A repetição
enfática de 'é' e a justaposição de 'retraço' e 'dor' intensificam a natureza
atemporal e onipresente do medo, que se manifesta tanto como um impedimento ao
avanço quanto como uma dor constante.
Essa construção
sintática, característica da poesia lírica, revela a tentativa da autora de
capturar a essência da experiência emocional em sua intensidade imediata. A
justaposição de 'retraço' e 'dor' evidencia a materialidade do medo, que se
manifesta não apenas como um estado psicológico, mas também como uma
experiência corporal profunda, marcada por uma sensação de aprisionamento e
sofrimento.
Por fim
Através de um jogo
de metáforas e de uma linguagem carregada de emoção, o poema 'Medo' constrói
uma experiência estética que nos convida a uma imersão na subjetividade da
autora. A exploração da experiência do medo, com suas diversas facetas, revela
a potência da linguagem poética na construção de sentidos e na evocação de
emoções profundas.
A metáfora do medo
como uma força opressora que "acorrenta a coragem" e "inutiliza
as forças" revela a universalidade dessa experiência e a sua capacidade de
paralisar a ação e limitar as possibilidades humanas. Ao explorar essa
temática, o poema nos convida a refletir sobre a condição humana e a buscar
estratégias para lidar com as nossas próprias angústias.
Poeta Hiran de Melo
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