Leituras poéticas – Capítulo 48

 


O Húmus do jardim

Da Janela

 

Por Majda Hamad Pereira

 

Da janela vejo o mundo lá fora

Aberto a quem se doa

Quem se fecha

Não vive, assiste

Deprime

Não sente, adormece

Entristece

Não cresce.

 

Reflexão – Uma leitura possível do poema:

 

Da Janela

 

A concisão e a força expressiva do poema 'Da Janela' convidam o leitor a uma imersão profunda na dicotomia entre a abertura e o fechamento para a experiência. A metáfora da janela revela a importância da interação do sujeito com o mundo para uma vida plena e significativa. Ao explorar essa metáfora, a autora dialoga com a tradição literária que representa o mundo como um palco para a ação humana.

 

Da janela vejo o mundo lá fora

 

A imagem da janela como portal para o mundo exterior, presente no verso 'Da janela vejo o mundo lá fora', convida o leitor a uma reflexão sobre a relação sujeito-objeto. A janela funciona como metáfora para a abertura do indivíduo para a experiência, convidando-o a uma participação ativa na vida.

 

Aberto a quem se doa

 

A expressão 'aberto a quem se doa' implica uma entrega incondicional à experiência, caracterizada pela abertura a novas possibilidades e pela disposição para o inesperado. Essa atitude, além de ser um convite à vivência ativa, revela uma postura existencial que valoriza o engajamento e a autenticidade.

 

Quem se fecha

 

A figura do 'quem se fecha' representa a antítese da abertura, revelando uma postura existencial caracterizada pela restrição da experiência. Essa escolha limita o sujeito à sua própria subjetividade, impedindo-o de estabelecer conexões significativas com o mundo e com os outros.

 

Não vive, assiste

 

A expressão 'não vive, assiste' evidencia a passividade do sujeito que se fecha para a experiência. Ao se distanciar da ação, o indivíduo se reduz à condição de espectador, renunciando à possibilidade de transformação e de construção de significados.

 

Deprime, não sente, adormece, entristece, não cresce

 

A sequência de verbos negativos delineia um quadro existencial marcado pela estagnação e pela negação da vida. Ao se fechar para o mundo, o sujeito experimenta uma série de privações, perdendo a capacidade de sentir, de crescer e de estabelecer relações significativas.

 

Leituras...

 

Abertura para a vida

 

A temática da abertura para a vida é central no poema, sendo simbolizada pela imagem da janela. Essa metáfora evoca a ideia de permeabilidade e receptividade do sujeito em relação ao mundo exterior, destacando a importância da experiência vivida para a construção da identidade e do sentido.

 

A ação e participação na construção da vida

 

A passividade, representada pela atitude de 'fechar-se', é apresentada como antítese da vivência plena. A associação da passividade a sentimentos como depressão, apatia, tristeza e estagnação evidencia a importância da ação e da participação na construção de uma vida significativa.

 

A necessidade de conexão

 

A metáfora da janela, além de representar a abertura para a experiência individual, também evoca a dimensão relacional da existência humana. Ao se fechar para o mundo exterior, o sujeito isola-se do convívio social, comprometendo a construção de vínculos e a troca de experiências com os outros.

 

O poder transformador da experiência

 

A experiência vivida, ao ser ativamente engajada, funciona como um catalisador para a transformação individual. A abertura para o novo e o inesperado possibilita a expansão dos horizontes cognitivos e emocionais do sujeito, promovendo seu desenvolvimento pessoal e social.

 

Por fim

 

O poema 'Da Janela' apresenta, de forma concisa e impactante, uma reflexão sobre a postura existencial do indivíduo. Ao estabelecer uma analogia entre a janela e a abertura para a experiência, a autora convida o leitor a uma profícua reflexão sobre a importância da interação com o mundo para a construção de uma vida plena e significativa.

 

Poeta Hiran de Melo


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