Leituras poéticas – Capítulo 13
Perfumes do Jardim
Onde anda a minha vida
Por Majda Hamad Pereira
Onde
anda a minha vida
Que
não a retomo mais
Foi
tomada pelas entradas e saídas
Pelas
horas corridas, pelos dias sem paz.
Onde
anda a criança
Que
não a encontro mais
Foi
na estrada do tempo
Levada
pelo vento, a deixou para trás.
Onde
estarão meus amigos
Já
estão velhos demais
Saudosos
encontros
Na
memória presente, tempos não voltam mais.
Onde
anda a minha vida
Está
perdida no cais
Vou
atrás de mar adentro
Seguindo
o roteiro do vento, onde andarás.
Travessia da Memória e do Tempo
Por Hiran de Melo
A
leitura de “Onde Anda a Minha Vida” revela-se como uma travessia
melancólica entre o tempo vivido e o tempo perdido. O sujeito lírico, em sua
busca por si mesmo, interroga o passado com uma voz que ecoa ausência, saudade
e estranhamento. Cada estrofe é uma estação da memória, onde o que foi se
dissolve na bruma dos dias corridos e das horas sem paz.
A
criança interior, os amigos de outrora, os encontros que não voltam mais — tudo
se esvai como folhas levadas pelo vento. O poema não apenas pergunta, mas
lamenta. A estrada do tempo é longa, e nela o eu poético se vê despossuído de
si, como quem perdeu o fio que o ligava à própria essência.
As
metáforas marítimas — o cais, o mar adentro, o roteiro do vento — ampliam o
sentimento de deriva. A vida, antes ancorada, agora flutua em busca de sentido.
O eu lírico não se resigna: ele segue, mesmo que perdido, guiado por uma
esperança tênue de reencontro.
Essa
composição poética não se limita à nostalgia. Ela é também um gesto de
resistência: ao nomear a ausência, o sujeito afirma sua presença. Ao buscar o
que se perdeu, reafirma o desejo de reencontrar-se. O poema pulsa entre o luto e a reinvenção, entre o
passado que se foi e o futuro que ainda pode ser tecido.
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